Saúde da Mulher

O que é Síndrome de Morris?

Olá, meninas. 

Hoje vou falar sobre uma síndrome rara e não tão frequente: a síndrome de Morris. Essa é uma condição intersexo, caracterizada a partir dos impactos causados a nível do desenvolvimento sexual, considerando que ocorre incapacidade parcial ou total das células que responde ao sistema andrógeno, como a testosterona ou a progesterona. 

Apesar de ser de conhecimento do público alguns rostinhos famosos diagnosticados desta forma, essa condição também conhecida como síndrome da insensibilidade androgênica ou pseudo hermafroditismo masculino é pouco reconhecida pelo público geral. Recebi uma dúvida sobre esse tema via comentário em um dos vídeos e achei válido trazer mais informações para os meus seguidores. 

Genética e a síndrome de Morris 

Para começar preciso voltar para as aulas de biologia que tivemos lá no ensino médio. Nosso material genético é formado por 46 cromossomos, divididos em 23 pares – desses, um dos pares representa os cromossomos sexuais. 

A formação feminina geralmente contém 46 cromossomos XX, já a masculina contém 46 cromossomos XY. Como as mulheres só possuem o cromossomo X, nós só conseguimos repassar esta variante para nossos filhos, enquanto os homens podem repassar as variantes X ou Y. Essa transmissão genética que determina o sexo do bebê. 

Neste processo, a síndrome de Morris pode ocorrer quando há um defeito no cromossomo X da mãe. Geneticamente falando, o cromossomo X defeituoso é um cromossomo recessivo, isto é, só manifesta tais características quando existem 2 cromossomos com a mesma formação ou é encontrado em uma formação com somente um cromossomo X.  

Isso acontece porque o defeito encontrado no cromossomo X faz com que as células do indivíduo não tenham receptores aptos ao hormônio testosterona, que gera a formação fenotípica. Assim, como as células não recepcionam o hormônio masculino, as características masculinas não se desenvolvem. 

Quais as características da síndrome de Morris? 

Os indivíduos portadores da síndrome de Morris possuem o genótipo, nome dado ao sexo genético, composto pelos cromossomos XY (masculino), enquanto o fenótipo, nome dado às características físicas, compostos pelo cromossomo XX (feminino). 

Nessa condição a portadora possui o órgão genital externo formado como a de uma mulher, com vulva, vagina, pequenos e grandes lábios, mas caso seja feito uma análise genética, como por exemplo um exame de cariótipo, será apontado o cromossomo XY. 

Como as células não possuem receptores para seguir os comandos, a formação dos órgãos genitais internos não é desenvolvida – assim, a mulher com esta condição genética não tem útero, ovário ou trompas. Internamente é comum o início do desenvolvimento de um gomo localizada na barriga que daria vazão ao testículo, mas esse órgão também não evolui.  

Como é feito o diagnóstico da síndrome de Morris? 

A mulher portadora desta síndrome nasce com todos os órgãos genitais e fenotipicamente falando possui todas as características do sexo feminino. Na puberdade a produção de estrogênio também acontece normalmente, assim os caracteres sexuais secundários, como mamas e pêlos se desenvolvem normalmente. No entanto, a menstruação não acontece devido a falta do útero, assim como demais órgãos internos.  

Muitas vezes o diagnóstico chega a partir do momento em que a adolescente registra problemas no início da menstruação. Durante a investigação é feito um exame de imagem, como uma ressonância ou ultrassom, e é descoberta a ausência do útero e dos ovários. 

Em alguns casos, o diagnóstico pode ser feito de forma precoce, ainda na infância. Isso porque o gomo que dá início à formação do testículo pode ser inicialmente diagnosticado como uma hérnia – durante a investigação da hérnia se dá a descoberta da condição genética. 

Impactos da síndrome de Morris 

Aqui vale destacar um ponto importante: a formação inicial do órgão genital masculino interno deve ser removida por meio de procedimento cirúrgico. Isso porque a presença do tecido do gomo na cavidade abdominal tem um potencial de evoluir para um tecido maligno, que pode ocasionar doenças graves. 

Além disso, a mulher portadora desta síndrome não tem capacidade reprodutiva porque não tem os órgãos genitais internos e também não irá menstruar ao longo da vida. Fora isso, os indivíduos com tal condição genética possuem pleno desenvolvimento e uma vida muito boa e saudável. Ainda assim, é fundamental que a síndrome seja diagnosticada para as devidas avaliações e tratamentos com os médicos especialistas. 

De forma geral, tal síndrome não pode ser evitada tendo em vista que se trata de uma alteração genética. Mas é importante saber que existe uma característica de herança familiar. Por exemplo, uma mulher que possui um cromossomo X com essa alteração recessiva pode gerar um filho com a síndrome, em especial o bebê que possui os cromossomos X e Y. 

Ficou com alguma dúvida? É só me enviar direto no Instagram 😉 

Beijokas, Denise. 

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