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Comportamento Saúde da Mulher

Como funciona a pílula do dia seguinte?

Olá, meninas!

Hoje vamos falar sobre um tema que recebo muitas dúvidas e percebo que uma boa parte das mulheres fazem uso de forma incorreta: a pílula do dia seguinte. A primeira coisa que eu quero falar é que este não é um método contraceptivo que pode fazer parte da sua rotina. Ele é um método emergencial que deve ser usado somente quando houver relação sexual desprotegida e há chance de engravidar.

Isso porque é justamente quando a mulher adota a pílula do dia seguinte como método anticoncepcional de forma rotineira que a chance de falha aumenta. Tem quem use a pílula do dia seguinte hoje, depois de duas semanas de novo, no próximo mês também… Esse costume faz com que o organismo seja exposto a uma grande carga hormonal e que a eficácia do medicamento diminua.

Como funciona a pílula?

O medicamento age para adiar a locomoção dos espermatozóides e impedir a fecundação do óvulo no sistema reprodutivo feminino, mas deve ser ingerido em até 72 horas após o ato sexual desprotegido.

Existem dois tipos de pílulas do dia seguinte, baseados na progesterona. A diferença é que você pode tomar uma pílula única, com maior concentração hormonal, ou ingerir duas pílulas, com a mesma quantidade de hormônio dividida em duas doses em intervalos de 12 horas.

Independente do formato escolhido, os dois modelos possuem grande concentração hormonal, o que pode ocasionar efeitos colaterais imediatos. Os mais comuns são: dor de cabeça, dor abdominal, cansaço, náuseas e vômitos, alteração de humor, menstruação irregular e sangramento – que acontece de acordo com o ciclo menstrual.  

Quando utilizar a pílula do dia seguinte?  

Digo e repito: esse é um método contraceptivo emergencial. Deve ser utilizado em casos de relação sexual sem prevenção à gravidez, nos mais variados casos:

· Sexo sem preservativo ou quando a camisinha rompe ou sai durante o ato;

· Uso equivocado do método contraceptivo, como esquecer da pílula anticoncepcional ou errar a data de aplicação da injeção;

· Deslocamento ou expulsão do DIU;

· Penetração sem consentimento e outros casos de violência sexual.

Apesar de não recomendado para uso de forma periódica, este é um método que ajuda muito em todas essas situações e permite à mulher ter controle sobre o momento que deseja (ou não) engravidar, principalmente em casos de sexo sem consentimento – vale destacar que o uso da pílula do dia seguinte faz parte do protocolo de atendimento médico em casos de estupros.

Além disso, não é obrigatório apresentar receita médica para comprar o medicamento em qualquer farmácia ou para pegar gratuitamente nos Postos de Saúde. Sim, o SUS disponibiliza os remédios e você não precisa passar em uma consulta antes. Claro que esta acaba se tornando uma oportunidade para muitas mulheres recorrerem ao atendimento médico para tirar dúvidas e já iniciar um tratamento de prevenção alinhado ao seu perfil clínico.

> Opções de Métodos Anticoncepcionais no Sistema Público de Saúde (SUS)

Mitos x Verdades: Pilula do dia seguinte

· Não substitui pílula e preservativo 

VERDADE. Ainda que o medicamento atue contra uma gravidez indesejada, a pílula do dia seguinte não pode substituir os métodos contraceptivos, como o remédio anticoncepcional ou a camisinha, por exemplo. Por reunir uma grande carga hormonal recomenda-se que o método seja utilizado somente uma vez por ano.

· A eficácia aumenta se tomada no mesmo dia da relação sexual

VERDADE. Muita gente já sabe que o medicamento tem ação em até 72 horas depois do ato sexual. Ainda que a proteção não seja de 100%, quanto mais próximo da relação a pílula for tomada, maior a porcentagem de eficácia contra uma gravidez – mas ainda pode acontecer.

· Protege contra gravidez em todos os casos

MITO. Nenhum método contraceptivo é 100% eficaz e com a pílula do dia seguinte não é diferente: a probabilidade de evitar uma gestação é de 88 a 90%. A eficácia do tratamento depende da periodicidade que se faz uso dele e do tempo de ingestão.

· Provoca aborto e infertilidade

MITO. O medicamento atua para impedir a fecundação no sistema reprodutivo feminino. Assim, ainda que a ingestão do medicamento aconteça após o ato sexual, ele só funciona caso a fecundação ainda não tenha acontecido, logo, não é de caráter abortivo. Do ponto de vista médico, não há evidência científica que a ingestão possa causar infertilidade.  

· Relações sexuais durante o período menstrual podem gerar uma gravidez

VERDADE. Em geral, para a mulher que possui um ciclo menstrual regular a chance de engravidar no período da menstruação é muito pequena. No entanto, como muitas mulheres não têm um ciclo tão regular assim, às vezes o período de ovulação pode gerar um pequeno sangramento, que pode ser confundido com a menstruação. Nestes casos, a mulher acredita que está menstruada e pode acontecer uma fecundação. Já escrevi sobre como é possível engravidar tomando pílula anticoncepcional aqui

No meu ponto de vista, a pílula do dia seguinte é um método muito eficaz para evitar uma gravidez indesejada. De forma científica e social, é um ganho para as mulheres. Mais uma forma para que a gente tenha controle sobre o nosso corpo e possa tomar escolhas assertivas.

Mas como o melhor caminho é a prevenção conheça algumas alternativas de Anticoncepcional Hormonal

Se você quiser mais informações, recomendo este vídeo sobre como funciona a pílula do dia seguinte.

Beijocas, Denise. 

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