Olá, meninas.
Hoje vou falar sobre um tema que está muito ligado à saúde feminina: o desejo sexual. Eu acho esse tema muito importante porque há muito tempo ele é negligenciado por parte das mulheres, além de que desde que eu iniciei minha trajetória como ginecologista, os temas sexuais são tratados como um tabu por boa parte das pacientes.
Já ouvi relatos de muita gente que nunca pensou em falar sobre em uma consulta, mas felizmente a cada dia temos abordado esse assunto com mais naturalidade e as mulheres têm entendido o papel da função sexual para a sua qualidade de vida.
De fato, existem alguns tipos de disfunções sexuais que podem impactar o prazer feminino, como a anorgasmia, que é a dificuldade de sentir o orgasmo, o vaginismo, que causa dor durante a penetração, a dispareunia, que é uma dor durante a relação sexual. Mas nesse contexto o que mais recebo de reclamação das mulheres é sobre o desejo sexual.
O que causa a falta de desejo sexual?
Também chamada de libido, a diminuição do desejo sexual pode ser causada por doenças crônicas ou até problemas no relacionamento. Em geral, essa queda tende a acontecer por conta de um processo fisiológico: o início da menopausa marca o fim do período reprodutivo para a mulher. Como a líbido também está relacionada a este ciclo, a redução dos hormônios que ocorre neste processo costuma impactar na falta do desejo sexual.
Outras situações em que a produção de hormônios é alterada também podem impactar na líbido. Durante o período de amamentação, a mulher se comporta de forma muito parecida com a fase de pós menopausa; o uso de hormônio como método anticoncepcional ou para tratamento de patologias (miomas ou endometriose, por exemplo) pode bloquear a função ovariana e impactar no desejo sexual.
Muito além desses exemplos fisiológicos, algumas doenças crônicas também podem causar implicações na libido: disfunções na tireóide ou em outras glândulas que produzem hormônios, patologias metabólicas não muito compensadas. Nesses casos é fundamental investigar e combinar um tratamento adequado para incentivar o desejo sexual e erradicar a enfermidade.
E por último, mas não menos importante, eu sempre digo que o principal órgão sexual da mulher é o cérebro. Assim, a líbido está muito relacionada à vida, à rotina, a hábitos saudáveis, ao relacionamento, à prática sexual realizada com o parceiro, entre outras situações externas que interferem.
Como diagnosticar a falta de desejo sexual?
Nesse contexto é importante ter em mente que o cérebro contribui, positiva ou negativamente, com o nível de desejo sexual. Em alguns casos, de fato não existe nenhuma alteração hormonal ou doença crônica, por isso, a mulher também precisa se conhecer e entender que tipo de prática sexual ela gosta. Isso porque quanto mais prazeroso for a relação, maior a chance de aumentar a líbido.
Em geral, nós ginecologistas analisamos o quadro clínico e psicológico da paciente, buscando entender o contexto das suas relações familiares, amorosas e sexuais. É bem importante ter uma avaliação bem ampla para diagnosticar a causa dessa disfunção e propor um tratamento efetivo que permita à mulher viver sua sexualidade de forma plena e prazerosa por muitos anos.
Caso você perceba que seu desejo sexual está diminuindo procure seu ginecologista e não tenha vergonha de falar sobre o tema. É nossa função responder esses questionamentos e buscar os melhores tratamentos para qualquer impacto na sua saúde íntima.
Como eu sempre digo, fique atenta aos sinais que o corpo dá, consulte o seu médico regularmente e faça os exames de check-up. Esses hábitos vão garantir que você possa identificar precocemente qualquer sintoma clínico e iniciar o tratamento antes de qualquer agravante.
Beijokas, Denise.

