Olá meninas, tudo bem?
Eu dei uma sumida por uns dias por um motivo bem chato… a gripe causada pelo vírus influenza, chamada de H1N1 e também de gripe suína me derrubou. Não, não sei precisar como fui contaminada, mas eu trabalho em diversos estabelecimentos de saúde, clínica, posto de saúde, hospital e estou sempre em contato com pessoas adoentadas. Acabei não escapando.
E, além do mal estar ter sido grande, as preocupações foram ainda maiores por dois grandes motivos: estou grávida e tenho uma bebê de 1 ano!. Ou seja, somos dois grupos de risco para as complicações da doença!!!!
Considerando que estamos em pleno surto antecipado da doença, achei que seria interessante vir aqui dar a minha opinião da doença como médica, como mãe e, principalmente, como paciente.
Primeiro, falando sobre esse vírus, o Influenza. Ele está associado a infecções das vias aéreas sendo transmitido exclusivamente de humano para humano (foi encontrado em porcos mas não conseguimos nos contaminar a partir dos animais). A transmissão se dá principalmente através de gotículas expelidas de secreções das vias aéreas, boca e nariz, podendo contaminar pelo contato de um membro contaminado (como a mão) com áreas suscetíveis como olhos e bocas.
O mais complicado ao se lidar com esse vírus, na minha opinião, é o fato dele sofrer muitas mutações. Ou seja, o vírus que circulava o ano passado já não é o mesmo que circula esse ano, ele sofreu modificações. Por isso a vacina não dura para sempre e tem que estar sempre sendo melhorada.
Esse ano aconteceu um surto antecipado e inesperado da doença, que geralmente ocorre no inverno. Isso fez com que nem o sistema público de saúde e nem as clínicas particulares tivessem a vacina pronta e à disposição quando os primeiros casos da doença começaram a ser diagnosticado. Algumas hipóteses estão sendo discutidas para essa precocidade do surto, como a baixa adesão a campanha de vacinação no ano passado e a “importação” do vírus de outros países por viajantes.
Bom, o maior risco da doença está em um grupo seleto de pessoas, consideradas de alto risco, por terem seu sistema imunológico enfraquecido. Essas pessoas podem evoluir com um quadro grave de Insuficiência Respiratória que muitas vezes demandam tratamento em UTI e, se não for tratado, pode gerar até óbito. Por isso mesmo as vacinas são direcionadas especialmente para essas pessoas.
Os grupos de risco são:
- Gestantes e lactantes;
- Idosos;
- Crianças com menos de 2 anos;
- Portadores de Doenças Crônicas como Asma, Diabetes, Cardiopatia, AIDS.
Excluindo os casos graves, a doença geralmente traz como sintomas:
- Febre, tendendo a ser alta e prolongada;
- Cansaço,
- Dor no corpo,
- Dor de cabeça,
- Tosse seca,
- Coriza e obstrução nasal,
- Dor de garganta,
- Vômitos e Diarreia (esses mais comuns em crianças).
Bom, eu tive TODOS esses sintomas, com exceção dos vômitos e diarreia, e posso dizer que são muito PIORES do que em uma gripe comum. Não sei se a dor nas costas piorou por eu estar no 8º mês de gestação, mas era uma dor insuportável (achei pior a dor no corpo agora comparando quando tive dengue). Mas o que mais me chamou atenção foi o cansaço. Nossa, sem forças para fazer NADA, só queria dormir. Ainda estou me restabelecendo, mas agora já tenho forças para as atividades básicas do dia a dia, como comer!
O tratamento de eleição contra o Influenza é o Tamiflu (Oseltamivir), que é indicado em alguns casos, em especial para doentes daquele grupo de risco acima mencionado. Tal medicação é usada na dosagem adequada para a idade, a cada 12 horas, por 5 dias. Além dele, são recomendados cuidados como repouso, uso de analgésicos e antitérmicos, aumentar ingesta de líquidos em especial a água, higienizar e hidratar mucosas nasais com soro fisiológico e cuidar MUITO bem da higiene das mãos. Cuidados gerais como tampar a boca ao tossir com um lencinho e evitar se expor em ambientes com pessoas sadias são fundamentais para evitar a disseminação da doença.

A vacina deve ser aplicada assim que disponível em todos os profissionais de saúde e pessoas dos grupos de risco. Pessoas sem risco podem não conseguir, em primeiro momento, vacina gratuita nos Postos de Saúde, mas se for possível fazer o uso particular eu recomendo.
Ah, uma informação que só descobri agora que estou tratando minha bebê: no Brasil não temos todas as dosagens da medicação, então para ajustar a dose para crianças é preciso fazer uma diluição. Se quiserem posso ensinar como se faz, deixem nos comentários.
Bom meninas, sei que esse post ficou muito longo, mas queria passar informações importantes para vocês. Eu Graças a Deus fiz o diagnóstico cedo, não tive maiores complicações a não ser ver minha bebê também doentinha, pois ela acabou gripando junto. Mas queria deixar como recado aqui para não banalizarem essa doença. Como médica já vi muita gente não tomar a vacina por “Achar que não serve de nada”, ou por “Temer os efeitos colaterais” ou por “Já ter tomado a vacina outras vezes”. Não caiam nessa cilada. Se cuidem, em especial se você está gestante, se tem bebê em casa ou se está amamentando. E caso mesmo assim apresentem sintomas, não demorem em procurar atendimento médico.
Beijokas, Denise.

