Olá meninas, tudo bem?
Hoje vamos falar de um assunto que acomete a grande maioria das mulheres em algum momento da vida reprodutiva: as cólicas menstruais.

As cólicas menstruais são bastante desagradáveis, podem abalar a qualidade de vida da mulher mas, ao contrário do que muita gente pensa, nem sempre representa alguma doença grave – pode ser uma manifestação normal do útero.
O nome correto da cólica é Dismenorréia, e se caracteriza por dor pélvica no período menstrual, de intensidade variável, podendo ser de um leve desconforto até uma dor incapacitante.
A Dismenorréia é dividida em 2 grandes grupos: Dismenorréia Primária e Dismenorréia Secundária. A Primária é aquela que ocorre por uma contração natural do útero durante o ciclo menstrual. Geralmente aparece logo nos primeiros meses após a 1ª menstruação, e pode acontecer em todos os ciclos. Já a Secundária ocorre como sintoma de alguma doença uterina, como mioma, endometriose, doenças inflamatórias, adenomiose e presença de DIU. Nesses casos a dor aparece na presença da patologia e pode ter outras características dependendo do agente causador, como aumento do fluxo menstrual, dor na relação sexual ou febre.
Além da dor característica, a Dismenorréia pode vir associada a sintomas como náuseas, vômitos, tontura, cansaço, irritabilidade e nervosismo.
Todas as mulheres que estão no seu ciclo reprodutivo podem apresentar a Dismenorréia. O diagnóstico da causa da doença depende de uma boa consulta ginecológica, com anamnese apropriada e exame clínico. No caso de suspeita de outras patologias causadoras da dor, exames específicos podem ser solicitados, tais como ultrassonografia pélvica, coleta de secreção vaginal e cervical para exames de cultura, exame de urina e até mesmo ressonância magnética.
O tratamento dependerá de diversas variáveis, sendo adequado para cada paciente, podendo ser desde medicações analgésicas e anti-inflamatórias, antibióticos, anticoncepcionais e até mesmo procedimentos cirúrgicos.
Mas, é importante ter a consciência de que nem toda cólica, mesmo que seja intensa, representa alguma doença mais séria. Digo isso pois com muita frequência recebo no consultório mulheres com quadro de dor tipo cólica já com uma suspeita diagnóstica na cabeça: Endometriose.
Endometriose é uma ocorrência muito falada hoje em dia, mas nem toda cólica é Endometriose. Aliás, a grande maioria das vezes não o é.
Endometriose é uma doença de causa não completamente definida onde encontramos implantes de células endometriais (que deveriam estar somente dentro da cavidade uterina) em localização ectópica: por fora do útero, nos ovários, nas trompas, até mesmo na bexiga ou trato intestinal. É uma patologia séria, que provoca sintomas por vezes incapacitantes e pode até mesmo levar à infertilidade.
O seu diagnóstico começa com história clínica, quando geralmente é referido dor progressiva, que foi ao longo dos anos tornando-se mais intensa e durando mais dias, podendo iniciar antes do período menstrual e se prolongar após o mesmo. Muitas vezes a dor é intensa inclusive no ato sexual, e por vezes também são referidos sintomas como alteração do fluxo menstrual, dificuldade para engravidar, dor ao urinar e evacuar além de questões emocionais como ansiedade e irritabilidade.
O exame clínico pode trazer indícios da doença e exames subsidiários como ultrassom pélvico e ressonância magnética podem auxiliar no diagnóstico. Por vezes indica-se também a realização de um procedimento cirúrgico de laparoscopia, que serve tanto para confirmação diagnóstica como para tratamento.
Falando em tratamento, além das medicações para alívio da dor, podemos lançar mão de medicamentos hormonais que podem controlar os focos da doença e, dependendo da gravidade da doença, o tratamento cirúrgico pode ser o mais indicado.
Então, podemos dizer que a Endometriose é uma das causas da Dismenorréia, mas essas duas patologias estão longe de serem sinônimos. Sendo assim, caso você sofra com essas dores, agende uma consulta ginecológica para iniciar uma investigação e realizar o tratamento mais adequado.
Beijokas, Denise.

