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Especial do Dia das Mães V. Mãe Especial.

Olá meninas, tudo bem?

O Post de hoje no Especial do Dia das Mães é uma outra história marcante na minha vida, que aconteceu há muitos anos, ainda no meu período de Residência Médica.

Ao longo da minha carreira pude acompanhar algumas Mães Portadoras de Necessidades Especiais dando a luz aos seus filhos. A alegria é a mesma que em qualquer parto, mas por vezes a preocupação por aquela circunstância específica pode se sobrepor, ou por parte da própria mamãe, ou por parte da família que a acompanha.

Mas um caso específico foi muito importante para mim. Acho que vocês também vão gostar.

Beijokas, Denise.

“Tem pessoas que nos são inesquecíveis, não é. E hoje venho recordar aqui com vocês o Parto de uma dessas pessoas. Na verdade o meu contato com ela foi curto, de alguns dias em que ela permaneceu internada no Hospital onde eu me especializava. Acredito que ela não se lembra de mim, mas com certeza eu nunca vou me esquecer dela.

Nunca vou me esquecer pois ela me mostrou, em seu choro desesperado nas vésperas do nascimento da sua filha, que o Amor de Mãe é o sentimento mais poderoso que pode existir.

Pois bem, o Hospital em questão era referência na cidade para Partos de Alto Risco. E eis que um dia vem encaminhada uma Sra. no final da sua gestação para programação do Parto. Precisaria ser realizada  uma Cesárea.

Ela chegou trazida por seu parceiro em uma Cadeira de Rodas. Eu a atendi no serviço pela primeira vez. Já tinha visto pacientes com mobilidade reduzida, mas a situação dela era novidade para mim. Ela tinha um problema de Mal Formação dos Membros. Todos eram atrofiados. Ela não tinha controle de mãos, braços, pernas. Controlava apenas cabeça, pescoço e conseguia se movimentar mexendo tronco e glúteo. E estava grávida de 9 meses.

Fonte Foto: Fotolia. Especial do Dia das Mães V. Cadeira de Rodas.
Fonte Foto: Fotolia.
Especial do Dia das Mães V. Cadeira de Rodas.

Atendi aquela senhora, a examinei, e concordamos que teria que ser feito uma Cesárea com todo o cuidado possível. A sua coluna era bastante desviada, o que impedia a anestesia na região. Teria que ser feito com Anestesia Geral, mais um cuidado importante para se tomar.

Confesso a vocês que aquela situação de princípio me chocou. Ainda estava começando na minha profissão. Não chegamos emocionalmente preparados para lidar com tudo. E o que mais me chocou foi que, com todas as suas limitações, ela tentava ajudar, se locomover, nos ajudar a realizar nosso trabalho.

Até que, minutos antes do procedimento começar, ela desabou a chorar. Começou a chorar desesperadamente, inconsolável. Fui conversar com ela, dizer para ficar tranquila, que tudo correria bem. Achei que estava com medo da cirurgia. Mas não, ela olhou para mim e disse: ‘Doutora, como vai ficar bem? O que será da minha filha se eu não vou conseguir nem mesmo segurá-la para amamentá-la’.

Aí compreendi o seu sofrimento. Ela temia pela saúde e bem estar da menina. Sabia que não conseguiria realizar muitas tarefas que a maioria das mães realiza com facilidade. Ela sempre precisaria de ajuda. E se a ajuda lhe faltasse?

Bom, meu coração se apertou, mas eu lhe disse que com certeza ela faria tudo de melhor que pudesse fazer para a sua filha, e que Amor não precisa de mais nada a não ser sentir. Como ela não tinha uma rede de apoio familiar tão presente em sua vida, a não ser o parceiro, chamamos o serviço de Assistência Social do Hospital para iniciar uma atividade com ela ainda na internação e garantir suporte após a alta.

O parto foi trabalhoso, mas ocorreu tudo bem, a menina nasceu saudável e ambas se recuperaram bem. Com auxílio da equipe de Pediatria e do Banco de Leite ela pode amamentar sua menina, mesmo que com necessidade de complemento, mas ela não deixou de cuidar da sua filha, da melhor maneira que pode.

Infelizmente não sei dizer como foi o desenvolvimento dessa criança. Mas tenho certeza que Amor não faltou naquela família”.

 

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