Home / Comportamento / Especial do Dia das Mães VII. O Meu Parto.

Especial do Dia das Mães VII. O Meu Parto.

Olá meninas, tudo bem?

Hoje finalizo essa série que me deixou tão emocionada e feliz em escrever. Espero que vocês tenham gostado. No Especial do Dia das Mães do Mamãe Plena eu abri meu coração para vocês, contando histórias que trago com muito carinho e, para fechar com chave de ouro, vou compartilhar um pouco da emoção maior da minha vida, o Nascimento da minha Helena.

Não sei se quando esse post for ao ar já estarei ou não com o Gustavo em meus braços. Escrevo com ele em meu ventre, dando muitos pulinhos, com 39 semanas e 4 dias de gestação.

Gostaria de aproveitar e desejar um FELIZ DIA DAS MÃES a todas! Sejam vocês apenas filhas, ou mães e filhas. Essa é uma data sempre muito especial para todas as pessoas. Desejo que todas tenham um dia muito Especial, repleto de Amor e próximo às pessoas Queridas.

Um grande beijo no coração, Denise.

“Uma das perguntas que mais ouvi desde que engravidei pela primeira vez foi: ‘E como a Sra. faz doutora? Passa em algum médico ou faz tudo sozinha?’ Gente, claro que passo em uma médica, não? Imaginem eu fazendo o meu próprio parto, avaliando a dilatação cervical… não dá né?. Eu faço todo o acompanhamento certinho que oriento para as minhas pacientes.

Mas, uma coisa é verdade. Acho que todo o conhecimento em relação a gestação, ao parto e ao puerpério que adquiri ao longo da minha vida de Obstetra, me ajudaram muito a manter-me sempre tranquila durante minha Gestação e o meu próprio Trabalho de Parto.

Felizmente eu só tenho a agradecer a Deus pois tive duas gestações muito tranquilas, desde o início. Mantive minha rotina de vida normal, continuei trabalhando até o final, não tive muitos desconfortos e nenhuma complicação. Foi tão tranquilo que Helena não teve pressa alguma para nascer, e o Gustavo está caminhando para o mesmo caminho! Rsrsrsrs.

No Natal de 2014 iniciei a 38ª semana de gestação, e achei que minha filha poderia nascer ainda antes do final do ano. Mas nada, passei as festas, o Ano virou, e nenhum sinal de Parto ainda. Parei de trabalhar e fiquei só esperando. Os dias foram se passando, e nada. Tudo estava pronto: quarto, casa, malas. Mas Helena queria vir a seu tempo.

A 40ª semana chegou, e continuei sem sentir nada. Fui na consulta médica e fiquei temerosa, pois  ela ainda estava alta, e o colo uterino não estava preparado. Desde o início da minha vida de Obstetra desejei um Parto Normal, e havia me preparado para isso da melhor maneira que pude. Continuei aguardando, e realizando os exames necessários a cada 2 dias.

Pois 4 dias depois acordei de madrugada com umas sensações diferentes. Um desconforto abdominal no baixo ventre e na lombar, um endurecimento abdominal e logo percebi o que estava acontecendo: as contrações finalmente estavam aparecendo.

Estava sozinha em casa, marido de plantão, então apenas fiquei observando o que acontecia. Helena mexia-se bem, então esperei com tranquilidade. Será que teria uma evolução rápida?

Obviamente que não! Rsrsrs. Fiquei 2 dias em casa com esse padrão de contração que incomoda, mas que ainda não indica internação para parto. É o que chamamos de Pródromos de Trabalho de Parto. Incomoda, mas dá para aguentar bem. Não fosse o calor de janeiro… teria ficado bem melhor.

Após 2 dias nessa situação, notei que os intervalos entre as contrações estavam mais curtos, agora aproximadamente 5 minutos, e a duração e a intensidade de cada uma delas maiores. Então, fomos ao hospital.

No exame físico uma notícia que adorei ouvir: o colo uterino tinha finalmente dilatado, apenas 3 cm, mas já estava bem melhor! Realmente tinha muitas contrações, mas elas não estavam tão intensas. Decidimos por iniciar a Ocitocina para ajudar, enquanto com o auxílio de uma Enfermeira maravilhosa, parti para os estímulos físicos: caminhada, agaixamento, exercícios na bola, banho…

Desse momento em diante foi tudo maravilhoso. As contrações tornaram-se realmente efetivas e, como previsto, o colo uterino afinou, Helena desceu, e passei a ter a dilatação esperada, aproximadamente 1 cm por hora.

A minha família se animou e começou a chegar no hospital. Mesmo com o adiantar da hora, que já anunciava a madrugada, todos ficaram no hospital ansiosos e animados. Meu marido, tão animado e ansioso quanto poderia estar, ficou o tempo todo ao meu lado, apoiando-me em seu silêncio característico.

Aproximadamente 6 horas após a minha internação já estava com 7 cm de dilatação, e finalmente me veio um sentimento de certeza: ‘Ela está chegando’. Tudo ocorria bem, podíamos acompanhar os seu batimentos cardíacos de tempos em tempos e nada preocupava. Mas, as dores começaram realmente a incomodar. Foi então que decidimos pela Anestesia, e após um procedimento bem tranquilo, parei de sentir a dor intensa.

Mantive os movimentos das pernas e, durante alguns agaixamentos pelo quarto, a bolsa das águas rompeu. Oba, sinal de que está cada vez mais próximo o momento de conhecer minha filha!

Mamãe e Papai na Sala de Parto esperando Helena chegar.
Mamãe e Papai na Sala de Parto esperando Helena chegar.

Já sem dor, relaxada, e com a bolsa rota, em 2 horas Helena desceu e o colo uterino acabou de dilatar. Quando notei, já estava posicionada e preparada para fazer aquela força que tanto ensino minhas pacientes a fazer. Percebi que todas as horas de ginástica e pilates da gestação agora faziam a diferença. Com algumas poucas forças bem feitas ouvi: ‘Continua assim, ela está vindo’.

E então, exatamente às 03:19 hs pude ver aquela pessoinha tão pequena e tão amada saindo de dentro de mim e vindo ao meu encontro, toda vermelhinha e melecada. Reconheci nos rostos  de todos que estavam próximos a mim, o quanto ela já era amada. Meu marido ainda em silêncio, nem lembrava de piscar. Minhas amigas que me ajudaram nesse momento sorriam por baixo da máscara cirúrgica. Minha família pode vê-la assim que nasceu pela janela da sala de parto, e as lágrimas corriam soltas em seus rostos.

Eu me senti plena. Não sei se ri. Não sei se chorei. Só conseguia olhar aquela menininha tão linda, tão pequena, tão especial enquanto pensava: nossa, ela é de verdade! Aquela história de ‘Amor a Primeira Vista’ se confirmava. Já amava a minha filha em meu ventre, mas ao ver seu rostinho, pegar na sua mãozinha, sentir seu calor, percebi que esse Amor finalmente se consolidava. Entendi que nasci para aquele momento e pedi a Deus que me desse saúde e sabedoria para cuidar daquele presente que ele estava depositando em meus braços.

Ainda na sala de parto Helena tomou um banho bem quentinho e logo partimos para a Amamentação. Com ajuda da Enfermeira ofereci a a mama à Helena, em entre um cochilo e outro, ela começou a se alimentar”.

Trabalho com Gestação e Partos há anos. Esse é o meu dia a dia. Mas a cada vida que vejo surgindo ainda me emociono e me pergunto como tudo isso pode ser tão perfeito. Fico sem resposta, mas com o coração pleno e certo de que tenho a melhor profissão do mundo.

Feliz dia das Mães a todas nós!.

Veja também

Especial de Dia das Mães: Meus Blogs Favoritos sobre Maternidade.

Olá meninas, tudo bem? Como já falei aqui no Mamãe Plena para vocês, o meu ...

4 Comentários

  1. Acabo de ler a série “Especial do Dia das Mães”. Muito obrigada por compartilhar momentos tão lindos. Estou emocionada, grávida de 6 meses, penso muito em como será o meu momento. Não quero criar grandes expectativas, só quero estar preparada para o que for e confio em Deus para que seja saudável para minha filha e eu. Lendo relatos como o seu vou ganhando segurança para este grande momento. Vi no Insta que o seu caçula já nasceu, estou aguardando ansiosa para ler sobre esse parto. Parabéns pelo Gustavo e Helena, toda felicidade a você, doutora, mãe, mulher.

    • Juliane querida, muito obrigada.
      O seu comentário é o que faz todo esse meu trabalho valer a pena. Eu é que fico emocionada e agradeço o seu carinho.
      Gustavo nasceu muito bem, obrigada, e o parto foi totalmente diferente! Em breve conto para vocês.
      Desejo toda a felicidade do mundo à vocês!’
      Um grande abraço, Denise.

  2. Que linda sua experiência! Muito parecido com meu primeiro parto! O parto realmente transforma a mulher!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *