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Sífilis na Gestação.

Infelizmente nós que trabalhamos na área da Saúde aqui no Brasil temos presenciado um aumento expressivo dos casos de contaminação pelo Treponema pallidum, agende causador da Sífilis, nos últimos anos. E assim como os casos de doença aumentaram na população geral, o número de gestantes contaminadas e de bebês que nascem com a doença, também aumentou bastante.

Pensando nisso, vim trazer algumas informações valiosas sobre a doença. Creio que quanto mais gente souber como se prevenir e tratar a doença, maiores as chances temos de mudar essas estatísticas.

Primeiro conceito que eu queria passar:

A Sífilis tem Cura!

Outro conceito importante:

Uma mesma pessoa pode se reinfectar da doença após o tratamento se se expor novamente ao risco!

Essas duas idéias são muito importantes no acompanhamento de gestantes, e vocês já vão entender o porque.

Sífilis na gestação.

A Sífilis é considerada uma DST – Doença Sexualmente Transmissível – sendo que para se contaminar basta uma única exposição sexual com parceiro contaminado sem o uso de preservativos. Ela é ocasionada pela bactéria Treponema pallidum, e apresenta 3 fases distintas de doença:

Primária:

Ocorre poucos dias após a contaminação e podem aparecer lesões (chamadas de cancro) indolores no local da contaminação – geralmente os órgãos genitais. Por se tratar de lesões indolores e por as mesmas poderem ser internas (como no reto e no colo do útero), frequentemente o portador nem nota, não apresenta queixa nenhuma, e a doença corre de modo silencioso. Após 10 dias as feridas somem, mesmo sem tratamento, e a doença torna-se inativa.

Secundária:

Se a fase primária não for tratada a doença pode evoluir para a fase secundária, quando sintomas pouco específicos como vermelhidão, coceira no corpo, aparecimento de gânglios, febre, dores musculares e dor de garganta podem ser notados. Muitas pessoas podem passar por esse estágio sem manifestar sintomas, deixando a doença mais uma vez silenciosa. Normalmente a fase secundária ocorre entre 2 a 8 semanas após a contaminação, e também regride espontaneamente sem tratamento.

Terciária:

É a fase mais grave da doença e de mais difícil tratamento, quando a bactéria pode acometer vasos sanguíneos grandes e atingir órgãos vitais como o coração e cérebro, levando até mesmo a alterações do sistema nervoso central. Representa uma doença que não foi devidamente diagnosticada e tratada, mas que felizmente não ocorre obrigatoriamente.

E uma característica importante dessa doença é que, caso a mulher se contamine durante a gestação, a bactéria pode ultrapassar a proteção útero-placentária e acometer o feto. Em casos de infecção materna no início da gestação, quando o bebe ainda está iniciando o desenvolvimento, as consequências podem ser piores, podendo levar até mesmo a surdez. Esses casos de contaminação durante o período intra-uterino chamamos de Sífilis Congênita.

Como em praticamente todas as fases da gestação a doença pode se desenvolver silenciosamente – ou seja, sem que a gestante perceba qualquer sintoma – é fundamental que a mulher seja submetida a coleta de exames de sangue ao longo do pré-natal a fim de se ter o diagnóstico. O exame que inicialmente é solicitado para o diagnóstico da doença é o VDRL, que deve ser pedido logo na primeira consulta e repetido preferencialmente nos segundo e terceiro trimestres gestacionais.

Esse é o exame que também usamos para o controle da doença após tratamento , sendo que nesses casos ele deve ser repetido mensalmente.

Por se tratar de uma Doença de Transmissão Sexual, hoje em dia preconiza-se que os parceiros sexuais das gestantes sejam também submetidos a exame sanguíneo para pesquisa da Sífilis no início do Pré Natal – já ouviram falar do conceito de “Pré Natal do Pai” ?

Por fim, acho importante falar um pouco do tratamento dessa doença. Como mencionei no início, trata-se de uma bactéria, que pode ser erradicada do organismo com o uso correto do Antibiótico. A droga preferencial de escolha no tratamento é a Penicilina Benzatina, que deve ser aplicada intramuscular em doses semanais. A quantidade de doses recomendada varia de 1 a 3, sendo que essa escolha depende da fase da doença em questão. Gestantes sempre devem receber 3 doses da medicação.

Existem outras opções de tratamento para a sífilis, com outros antibióticos, geralmente com uma duração longa do tratamento. No entanto, para gestantes a única opção recomendada é a Penicilina, pois é a única que comprovadamente vai entrar dentro do útero e proteger o bebê em desenvolvimento – em casos de alergia à medicação pode até mesmo ser indicado um processo de dessensibilização da droga.

Eu também disse é possível a re-infecção por essa bactéria, e isso normalmente se deve ao não tratamento correto do parceiro. Dessa maneira, sempre que temos um caso de Sífilis em gestante é fundamental o tratamento conjunto do parceiro, mesmo que o mesmo apresente exames negativos. Sem o tratamento do parceiro não podemos considerar que a mulher foi tratada.

Finalizando, após o parto novos exames devem ser realizados, inclusive no bebê, e caso haja qualquer indício de que a doença não foi devidamente tratada, o bebê terá que ser submetido a tratamento antibiótico por vários dias!!! Então queridas, não deixem de se cuidar, de pesquisar a doença, de tratar corretamente  e de evitar os riscos de uma nova contaminação.

Por falar em riscos, deixo aqui um post muito bacana que fiz sobre Gestação de Alto Risco. Não deixem de ler também!

Beijokas, Denise.

 

 

 

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