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O que é Insuficiência Istmo Cervical?

Fonte Foto: Fotolia. IIC.
Fonte Foto: Fotolia. IIC.

Olá meninas, tudo bem?

Hoje venho trazendo um nomezinho esquisito para vocês… um daqueles que só nós médicos gostamos! Rsrsrs.

Já ouviram falar em Insuficiência Istmo Cervical (IIC)? Acredito que a maioria não. Talvez só quem tenha passado por esse problema tenha conhecimento dele. Mas, até mesmo por haver uma falta de diagnósticos precoces, considero um assunto importante para abordar com vocês.

Essa é uma patologia da gestação onde o colo uterino da mulher portadora não consegue suportar o peso da gestação e dilata-se precocemente, provocando parto extremamente prematuro ou aborto tardio. Essa dilatação tende a ser silenciosa e indolor, e essa incapacidade tende a se manter em todas as gestações, causando perdas cada vez mais precoces.

É uma doença rara, atingindo aproximadamente 1% das mulheres em geral. Mas, quando se fala das mulheres que sofreram abortos tardios (com mais de 12 semanas de gestação) sucessivos, essa probabilidade pode aumentar para mais de 20%.

Em geral o diagnóstico é feito com base na clínica, então normalmente a mulher traz uma história de perdas gestacionais anteriores. Os exames de ultrassom, em especial os morfológicos realizados por volta das 12 e 20 semanas de gestação, também costumam medir o comprimento do colo uterino por via vaginal e auxiliam no diagnóstico. Colos uterinos com menos de 2,5 cm são chamados de “colos curtos” e apresentam um maior risco de IIC.

Esse é um problema que pode ser congênito, ou seja a mulher nasce com essa insuficiência, mas só vai descobri-la na primeira gestação; ou adquirido, quando alguma situação ocorrida após o nascimento reduz o tamanho e a competência do colo uterino, geralmente uma cirurgia.

Infelizmente não existe uma cura para a IIC, mas existe o controle do problema. O tratamento mais comum e indicado é uma cirurgia chamada Cerclagem, na qual o médico coloca um fio de sutura no colo uterino, literalmente amarrando-o, para impedir a dilatação precoce. Geralmente esse procedimento é realizado após 12 semanas de gestação e após a realização do ultrassom morfológico, sendo idealmente realizado até 16 semanas, e possivelmente até 20. O melhor é realizar essa cirurgia antes que haja dilatação do colo uterino.

Em alguns casos pode-se indicar Cerclagem de Emergência, quando a mulher já chega no hospital com uma dilatação do colo uterino, mas nesses casos a eficácia é reduzida e os riscos aumentados.

Geralmente após a cirurgia a mulher tem que fazer um acompanhamento rigoroso de pré natal, pode ser indicado repouso absoluto ou relativo e por vezes associa o uso de progesterona vaginal. Importante também sempre tratar qualquer tipo de infecção vaginal antes e depois do procedimento.

Existe uma nova opção terapêutica em uso, a colocação de um Pessário na vagina para servir de sustentação para o colo uterino deficitário. Esse pessário é um tipo de anel de silicone, e apesar de ainda ser pouco usado no Brasil, já tem seu uso mais difundido na Europa.

Então meninas, fiquem atentas. Caso conheçam alguém que teve 1 ou mais episódios de abortos tardios ou partos prematuros extremos, pensem nesse probleminha.

Beijokas, Denise

 

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2 Comentários

  1. Olá, Denise! Como vai?
    Ótimo texto, visto que a IIC é pouco conhecida, eu mesma que tenho esse problema nunca tinha ouvido falar. O mais triste é que a IIC é muito silenciosa, no meu caso por exemplo o exame de US morfológico com 22 semanas eu estava com um colo ótimo 5.4 cm, mas com 24 semanas o meu colo apagou, chegou a 0.6 cm. Fui internada com contrações fortes e orifício interno do colo dilatado. A nifedipina conseguiu controlar as contrações por 3 dias, mas depois disso as contrações voltaram com tudo. Meu bebê nasceu de parto normal com 25 semanas, porém grandinho pra idade gestacional (820g). Sobreviveu por 12 dias na UTI neonatal, mas faleceu vítima de uma infecção generalizada. Como meus exames não apontaram nenhuma infecção, inclusive a anatomia patológica da placenta, o obstetra me disse que meu caso clínico indica que sou portadora da IIC. É um problema muito sério e ingrato, pois quando se descobre já não tem muito a se fazer. Agora estou aqui, tentando me recuperar e administrar todo trauma que ficou. Abraço!

    • Thalita, realmente é uma situação que muitas vezes temos o diagnóstico após um desfecho ruim. Imagino sua dor. Viva seu luto. Mas saiba que nas próximas gestações você consegue mudar essa história fazendo acompanhamento e procedimento precocemente. Sinta-se abraçada. Bjos

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