Saúde da Mulher

O que é sífilis?

Olá, meninas.

Hoje vou falar sobre um tema relacionado à saúde feminina: a sífilis, que registra aumento no número de casos a cada mês. Há alguns anos, quando eu me formei, quase não se via gestantes com exame positivo para sífilis, mas hoje em dia a quantidade de casos só aumenta e isso pode trazer impactos importantes para a vida da mulher e do bebê.

O que é sífilis?

A sífilis é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) provocada por uma bactéria. Quando falamos de uma Infecção Sexualmente Transmissível deve-se considerar que a contaminação acontece através do ato sexual.

Na maior parte dos casos, a sífilis é uma infecção assintomática que não apresenta mudança corporal ou patologia. Assim, quem está infectado não sente nada e pode transmitir para outras pessoas por meio da relação sexual.

Tipos de sífilis

Existem três tipos de infecções a partir da sífilis, classificadas como primária, secundária e terciária, divididas através das características dos sintomas que tendem a ser leves ou imperceptíveis.

-Sífilis primária: o infectado registra sintomas de imunidade baixa, que podem ser causados por qualquer tipo de infecção. Podem surgir alterações na pele ou vermelhidão, que tendem a ser leves e passageiras. Geralmente, a resolução acontece sem nenhum tratamento específico.

-Sífilis secundária: o infectado registra inflamações na área íntima, como alterações visíveis na região da vulva e da vagina, assim como lesões internas. Nestes casos, a recomendação é consultar seu ginecologista.

-Sífilis terciária: o infectado registra os sintomas da sífilis secundária de forma crônica, o que costuma acontecer quando a infecção já está presente há algum tempo. Em alguns casos, pode haver dano neurológico irreversível. Caso note qualquer sintoma, a recomendação é consultar seu ginecologista.

Qual o principal impacto da sífilis?

Ainda que a infecção seja do tipo primária, quando uma mulher é portadora da sífilis, ela pode transmitir a doença durante a gestação. A sífilis congênita acontece porque o bebê recebe sangue contaminado pela bactéria, que pode impactar em aborto espontâneo, má formação durante o desenvolvimento (que podem acarretar sequelas após o nascimento) e até morte no útero.

Então a sífilis congênita é um grande risco para os bebês e precisa, sim, ser muito bem tratada. Inclusive, quando se fala de sífilis geralmente se vincula a infecção à gravidez, considerando que esse é um dos principais momentos em que o diagnóstico é feito. Isso porque durante o pré-natal acontece a busca ativa pela doença através de exames de sangue, mesmo que a mulher não tenha relatado nenhum sintoma.

Sífilis na Gestação

Como é feito o diagnóstico da sífilis?

Existem dois tipos de exames de sangue que podem ser feitos para o diagnóstico da sífilis: o teste rápido é feito diretamente na unidade de saúde ao colher o sangue com um furo no dedinho e incluir no marcador, onde será exibido a informação de reagente ou não reagente; já o exame VDRL entrega uma análise mais completa sobre a existência da bactéria, assim como traz informações sobre a titulação deste microrganismo.

O teste rápido costuma ser feito nos serviços de pronto atendimento de ginecologia e obstetrícia para identificar se a gestante possui a infecção, em casos de parto ou caso a gestação tenha passado por um aborto. Já durante o pré-natal ou caso possua algum sintoma, o exame VDRL é o tipo recomendado – vale destacar que durante o pré-natal a mulher é encaminhada para três exames para investigar a presença da sífilis.

Qual o tratamento da sífilis?

Uma informação importante sobre a sífilis é que o tratamento é aplicado sobre a manifestação aguda relatada pelo paciente, isto é, sobre os sintomas. Por conta disso, uma nova reinfecção pode acontecer caso a mulher se relacionar novamente com um portador da bactéria que não tenha realizado o tratamento corretamente. Caso ocorra uma reinfecção, o quadro clínico pode ser mais preocupante.

O tratamento recomendado costuma ser à base do antibiótico penicilina, com a quantidade de ingestão oral indicada de acordo com o nível dos sintomas e do quadro da paciente. Para as gestantes, normalmente é indicada ingestão de uma dose grande por três dias, com intervalo de sete dias para cada aplicação.

Isso porque para proteger o bebê, atualmente, só existe comprovação quando o tratamento é feito com a penicilina. O tratamento da gestante deve ser feito em até 30 dias antes do parto. Caso o tratamento não seja concluído e o parto aconteça, o bebê deverá ficar no hospital para concluir o tratamento de forma adequada.

Já para a mulher não gestante ou para homens, outros tratamentos podem ser recomendados caso a caso, como ingestão via oral ou outros antibióticos. Após a conclusão do tratamento, é fundamental acompanhar os índices virais da bactéria no seu exame e a resposta do seu organismo – e isso vale para gestantes e não-gestantes. Durante a gestação, o exame de sangue será feito a cada mês, para quem não é gestante vale mais dois exames, com intervalos de seis meses.

Quem vê cara não vê DST

Como se prevenir da sífilis?

Como eu disse, a sífilis é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST), assim a única maneira de evitar contrair a bactéria é usar preservativo durante a relação sexual, combinada com a busca ativa da doença por meio da realização de exames ginecológicos regularmente.

Nesse contexto, outro ponto importante é que, caso você seja diagnosticada com a doença, vale informar os parceiros com os quais você tenha tido relação sexual previamente para que eles também realizem o exame.

Isso porque os números de contaminação estão cada vez mais assustadores e garantir que todos os infectados tenham ciência da doença é fundamental para evitar novas contaminações. Pra você ter uma ideia, cerca de 64.300 casos de sífilis foram registrados no Brasil somente no primeiro semestre de 2021, um número 16 vezes maior do que foi registrado no ano de 2010.

Como eu sempre digo, fique atenta aos sinais que o corpo dá, consulte o seu médico regularmente e faça os exames de check-up. Esses hábitos vão garantir que você possa identificar precocemente qualquer sintoma clínico e iniciar o tratamento antes de qualquer agravante.

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Beijokas, Denise.

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