Olá, meninas.
Hoje vou falar sobre um tema importante para as gravidinhas, que ainda não é amplamente discutido entre os médicos: a vacina anti-Rh. Eu quis falar sobre esse tema porque recentemente estava em um plantão e prescrevi essa vacina para uma puérpera que tinha acabado de ter o bebê. Ela se recusou a tomar porque ela tinha medo da agulha e não enxergava a real necessidade do imunizante.
A imunização é indicada para as gestantes que possuem o grupo sanguíneo Rh- negativo, com o objetivo de impedir o desenvolvimento de uma patologia grave: a doença hemolítica do recém-nascido (DHRN).
Como o tipo sanguíneo impacta a gestação?
Antes de tudo, é importante relembrar que todos nós temos tipos sanguíneos diferentes e alguns podem ser incompatíveis durante a gestação. Nas aulas de biologia nós aprendemos que os tipos sanguíneos são divididos em quatro grupos: A, B, 0 e AB, além da indicação do Rh positivo ou negativo. De modo geral, as pessoas que são do tipo positivo possuem o antígeno Rh e as pessoas do tipo negativo não.
Assim, no início da gestação é importante comparar o seu tipo de sangue com o do pai, porque se a gestante for do tipo negativo e o pai do tipo positivo o bebê pode herdar geneticamente uma das opções. Caso o bebê tenha o tipo sanguíneo positivo, o organismo da mãe irá reconhecer o antígeno e acionar suas defesas imunológicas para produzir anticorpos contra o tipo sanguíneo do bebê.
Nesses casos, não há nenhum impacto no desenvolvimento da gravidez, mas a gestante irá armazenar tal resposta imunológica e, caso tenha uma nova gestação em que o bebê seja do tipo sanguíneo positivo, o organismo estará pronto para “combater” o antígeno com anticorpos. Por isso, em próximas gestações o bebê pode desenvolver a doença hemolítica do recém-nascido (DHRN).
Como funciona a vacina Anti-Rh?
A vacina Anti-Rh é uma imunoglobulina que atua nos casos em que a mulher é exposta a esse tipo de combinação sanguínea, evitando que o organismo produza tais anticorpos e garantindo que em futuras gestações o bebê não esteja suscetível à DHRN. A prevenção deve ser feita em dois momentos:
Quando a mulher inicia o pré-natal, ela realiza o exame coombs indireto para identificar se ela possui essa sensibilização ao Rh positivo e o de tipagem sanguínea para identificar o tipo do parceiro. Caso seja negativo, não há nenhum risco. Caso seja diferente ou caso não seja possível identificar o tipo parceiro, conclui-se que há risco. Nesta etapa já é feita a aplicação de uma dose do imunizante.
Após o nascimento do bebê, é feita uma análise do tipo sanguíneo direto no cordão umbilical. Caso o tipo seja negativo, não há nenhum risco. Caso seja positivo, a mãe foi exposta e o organismo começou a produzir os anticorpos. Assim, após concluir o trabalho de parto, idealmente em até 72 horas, a mãe deve receber a segunda dose da vacina.
Com este cuidado, garante-se que não haverá nenhum problema relacionado nas próximas gestações. Além disso, no início de toda a gravidez e após o nascimento, todos os exames serão repetidos e o tratamento será condicionado de acordo com o resultado.
Vale destacar que a sensibilização do organismo da mãe e o desenvolvimento da resposta imunológica pode acontecer em situações de aborto, gravidez ectópica (nas trompas) e em alguns tipos de transfusão e sangramentos que a mãe seja exposta durante a gestação. Nestes casos também é importante realizar os exames e aplicar a vacina caso elas sejam do tipo Rh negativo.
Dicas finais
Programe-se para participar das consultas de pré-natal ativamente e por todo o tempo necessário. Como as mamães têm bastante dúvidas e orientações a receber, essa é uma rotina médica fundamental durante toda a gestação.
Reuni alguns conteúdos sobre pré-natal que podem te ajudar nesse processo:

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Beijokas, Denise.

